Blog de coxipodaponte


23/05/2008


Nova descoberta pode elevar Brasil a potência petrolífera

 

* Do Wall Street Journal

 

O jornal americano Wall Street Journal diz em sua edição dexta sexta-feira que a nova descoberta de petróleo na Bacia de Santos, anunciada na quarta-feira, "esquenta especulações" sobre a ascensão do Brasil ao grupo dos grandes exportadores globais e de que o país tem reservas suficientes para "aliviar a pressão sobre os crescentes preços do petróleo".
Segundo a reportagem, "a descoberta é a última em uma série de ações bem sucedidas da empresa, aumentando as esperanças de que o Brasil será a nova grande novidade em petróleo global".
"Com o preço do petróleo batendo novos recordes, grandes descobertas no Brasil iriam aumentar o otimismo da indústria energética de que o país poderia suprir petróleo suficiente para manter o ritmo da crescente demanda", diz o jornal.
"Nas negociações na quinta-feira, na Bolsa de Nova York, o preço do barril caiu US$ 2,36, ou 1,8%, para US$ 130,81 o barril, em parte diante da perspectiva de maior suprimento vindo do Brasil", afirma o Wall Street Journal.
Segundo o jornal, as descobertas seriam especialmente bem-vindas nos Estados Unidos, garantindo uma nova fonte de petróleo em seu hemisfério.
"O foco de atenção é a Bacia de Santos, uma série de campos de petróleo potenciais enterrados sob milhas de águas ocêanicas, terra e uma teimosa camada de sal. A perfuração exploratória em diferentes campos produziu petróleo bastante similar, alimentando uma excitante nova teoria: de que a bacia pode ser um contínuo mega-depósito de petróleo."
O jornal afirma, no entanto, que apesar do otimismo, observadores dizem que há boas razões para ceticismo.
"A exploração e a extração de petróleo em águas super-profundas são uma empreitada cara e arriscada. O sal que fica sobre os potenciais campos soma desafios técnicos porque muda de lugar e é propenso a mudanças bruscas de pressão. E apesar dos avanços na tecnologia de imagens geológicas, é impossível saber a quantidade e a qualidade do petróleo escondido em um depósito até que ele comece a jorrar - um processo que leva anos."
Mas, segundo o WSJ, os investidores não estão esperando para apostar neste potencial.
"A fatia da Petrobras negociada publicamente aumentou tanto este ano que o valor de mercado da companhia ultrapassou o de empresas de nomes conhecidos, como a General Electric e a Microsoft", afirma o jornal.
Segundo a reportagem, só com as reservas já encontradas o Brasil, provavelmente, chegaria ao topo dos exportadores latino-americanos.
"Para um país que começa a abandonar seu passado como país em desenvolvimento volátil, tanta bonança pode ser bom ou ruim. O dinheiro do petróleo vai encher os cofres do governo, mas também pode deixar o Brasil tentado a adotar hábitos esbanjadores de outros grandes exportadores de petróleo", conclui o WSJ.

É hoje que o FHC, (vulgo Farol de Alexandria e que tentou doar a Petrobras às multinacionais do petróleo) tem um calipso cardaico!
 
 
Igor Romanov

Escrito por coxipodaponte às 18h40
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

19/05/2008


Os tiros da Toneleros ecoam?

 

*Por Mino Carta

 

Os esqueletos deveriam estar bem guardados nos armários e os fantasmas engolidos pelo tempo. Ou não? A oposição demo-tucana e seu porta-voz, a mídia nativa, ainda ouvem o eco dos tiros da rua Toneleros como os astrônomos o ruído do Big Bang difuso no universo. E 54 anos demonstram valer, à escuta dos opositores da nossa política, mais que os 10 bilhões, ou mais anos, percebidos em Jodrell Bank e adjacências.
A memória não é o forte das gerações mais recentes, e nem tanto. Vale a pena, portanto, recordar que os tiros da Toneleros, rua carioca, remontam aos começos de agosto de 1954 e foram dirigidos contra o grande acusador do governo constitucional de Getúlio Vargas, Carlos Lacerda. Um o atingiu no pé, outro matou seu acompanhante, o major Vaz, da Aeronáutica.
Foi o lance crucial de uma crise que vinha desde o início do governo Vargas, combatido em duelo ao último sangue não somente porque não lhe perdoavam a ditadura estadonovista, mas também, e sobretudo, a política nacionalista. À sombra de Vargas nasceram, por exemplo, Volta Redonda e a Petrobras, e leis trabalhistas que há tempo soam como obsoletas, embora à época fossem revolucionárias aqui na terrinha.
Tio Sam sempre contou com magníficos advogados na Terra Brasilis. A tocaia urdida na Toneleros por profissionais contratados pelo “anjo negro” de Vargas, númeno e fenômeno dos guarda-costas, Gregório Fortunato, é episódio digno do Oeste selvagem, e a campanha liderada pelo tribuno da aristocracia udenista, a denunciar desmando e corrupção, ganhou fôlego e substância. O Palácio do Catete, sede do governo nacional no Rio capital, segundo Lacerda, fora submergido por um “mar de lama”.
A tragédia tropical encerra-se com outro tiro, aquele do suicídio de Getúlio, direto ao coração, na noite de 24 de agosto de 1954. O povo chorou muito a morte do “velhinho” e os planos da elite foram realizados, a rigor, somente com o golpe de dez anos depois. E nem mesmo a contento de Lacerda e companhia. Rondavam o território raposas mais espertas.
Os intérpretes da pantomima dos dias de hoje, 54 anos depois, não figuram na família das raposas, embora suponham nascer do conúbio entre estas e os lobos. Creio que Dante colocaria Lacerda no Inferno. Não existe, porém, um único, escasso personagem na oposição demo-tucana que se pareça com ele, mesmo vagamente, em cultura e oratória.
Não há semelhança, tampouco a mais pálida, entre os tiros da Toneleros e o chamado dossiê anti-FHC, que devora as energias oposicionistas na tentativa de manter o assunto nas primeiras páginas. Como se deu em outras ocasiões quando se pretendeu provar que um mar de lama invade o Palácio do Planalto, o Alvorada, a Granja do Torto, a patética expectativa por uma situação capaz de derrubar Lula acaba por se esvair em sua própria fragilidade.
Não é que a mídia deixe de se empenhar no limite de seus modestos alcances. Observe-se, contudo. Apresenta-se como “dossiê” o que não passa de planilha. Atribui-se o vazamento a um burocrata menor, em conluio com outro do mesmo porte, assessor do senador Álvaro Dias, quando o vazamento é obra deste senhor, indiscutível no lance. Procura-se demonstrar uma chantagem sem que surjam os indispensáveis chantagista e chantageado. Trata-se em vão de demolir no nascedouro uma eventual candidatura da ministra Dilma Rousseff em 2010, com o exclusivo resultado de torná-la a cada dia mais conhecida do Oiapoque ao Chuí.
Tem mais. Há uma identificação tão profunda entre Lula e o povo brasileiro, tamanha carga de empatia, que torna o presidente indestrutível. Investir contra ele recorda Dom Quixote da pior maneira. A oposição e a mídia demo-tucanas não vivem a demência empolgante do herói de Cervantes, trafegam é pela raivosa incompetência dos medíocres.
Lula, nas circunstâncias, é a pedra que o vento não molda e a água não fura, seja bom seu governo para o povo brasileiro, ou não. Convém neste momento cogitar apenas de outra questão: o próximo presidente, venha de onde vier, não será um ex-metalúrgico dotado de formidável carisma. E, na ausência de um líder que goza da aprovação incondicional, governar ficará mais difícil.

 

Roberto Ilia Fernandes

Escrito por Roberto Ilia às 11h37
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Histórico